quinta-feira, 11 de maio de 2017

Naoshima e Teshima

Red Pumpkin Playhouse da artista Yayoi Kusama 


Depois de passar 3 dias em Osaka saímos cedo com destino a ilha chamada Naoshima, pegamos o trem pra Okayama, mais 1 hora e pouco de carro e depois o ferry pra ilha... 
Como vcs podem ver por todo esse trajeto não se vê paisagens bonitas nem nada... A única coisa interessante foi a fonte em frente a estação de trem que me lembrou de Sidney! 


Chegando na pequena cidade de Tamano no caminho do porto de Uno onde pegamos o ferry as casas já ficam mais bonitinhas, apesar de bem simples, com seus telhados grafite...




Chegamos na ilha e fomos direto para o Hotel Museu Benesse House onde iriamos nos hospedar por 3 dias. 

Naoshima é uma pequenina ilha situado no Seto Inland Sea porque ela fica nesta parte interna do mar entre as ilhas Honshu, Shikoku e Kyushu.



Por muitos anos viveu aqui uma pequena comunidade de pescadores que hoje se transformou na pequena vila do porto Tsumuura onde chegamos. Até então o único local que tinha sido habitado era uma fortaleza construída em Honmura para defesa entre o Século XIII e XIV, mas que depois se tornou só ruínas...  Foi depois que a refinaria da Mitsubishi resolveu explorar cobre aqui que o problema começou, essa exploração durou 14 anos e conseguiu acabar com as árvores locais por causa do acido sulfúrico segundo nossa guia, esse processo todo poluiu ar, água, enfim tudo inclusive o mar, e lá se foram os peixes.... (Como vcs podem ver abaixo ainda existem fábricas, refinarias, etc. por toda parte, nas ilhas próximas e distantes...  Por isso ainda dá pra sentir um cheirinho tipo Cubatão, mas mais suave, pelo menos senti no primeiro dia, não sei se pelo vento vindo de algum lugar, ou porque me acostumei, mas no segundo dia não senti mais....)


Refinarias e mineradoras ainda hoje em toda essa área!


Muito dinheiro foi ganho na época e depois essa parte da ilha foi abandonada,  pelo que eu entendi,  até que em 1988 Tetsuhiko Fukutake um empresário de sucesso que velejava muito por essa área teve uma idéia e levou o famoso arquiteto japonês Tadao Ando para ver a ilha e falar sobre seus planos. Apesar de Tadao Ando achar que ele estava maluco seu entusiasmo e de seu filho Soichiro Fukutake o convenceram.

Primeira reunião na ilha com Tetsuhiko e o prefeito Chikatsugu prefeito de Naoshima em 1985

A história desta família de sucesso começou com a fundação em 1955 da Fukutake Editora,  a Benesse Holdings celebrou seus 55° aniversário em 2010. Seu fundador em 1971 Tetsuhiko Fukutake amante das artes começou uma coleção de arte importante e começou a fazer pequenas exposições nas diversas empresas para incutir a cultura da arte contemporânea, nada fácil num Japão tão tradicional . Seu sonho era revitalizar esta área de ilhas onde o mar é calmo como um lago, a natureza foi pródiga aqui e o visual realmente é muito bonito, mas toda a região foi explorada ao máximo, sua vegetação estava toda preta, seca e morta e havia restos de fabricas e muito lixo industrial tóxico deixado nas ilhas e mesmo transportado pra várias delas de barco. 
Tetsuhiro se entristeceu com tudo isso e mais a pobreza dos pequenos povoados e resolveu mudar a região criando museus com arte contemporânea a céu aberto onde crianças, adolescentes, pessoas comuns e até pessoas idosas pudessem vir e com isso trazer mais prosperidade para todos.



Acampamento em Naoshima - 1989

- Sempre ouvi que só chegaria ao paraíso depois da morte, mas eu sonhava com um paraíso para os vivos... - diz o bilionário dono da Benesse, que se apaixonou pela região e é um crítico da concentração de poderes e recursos nas mão de metrópoles como Tokyo.

Em 1989 foi fundada a Art Site Naoshima e de lá pra cá só aumentaram as instalações de arte por aqui e foram incluídas mais 2 ilhas, Teshima e Inujima.

Benesse House Museum

Nosso hotel o Benesse House Museum que foi projetado por Tadao Ando um gênio autodidata que nunca tirou diploma e foi lutador de box!  Foi o primeiro museu da ilha inaugurado em 1992. Infelizmente nossa Agência de Turismo não nos falou que esse hotel tem 3 tipos de quartos o Oval, Park e Beach portanto ficamos no quarto Museum Suite e só aqui descobrimos que tem 6 quartos na parte oval que são bárbaros... Se der fiquem neles! 


Biografia de Tadao Ando ganhador do Prêmio Pritzker de Arquitetura em 1995


Assim que chegamos depois de ficar encantados com a vista do quarto descemos pra conhecer o hotel.


A esquerda obra com movimento de George Rickey - Four Lines

Visitamos primeiro as obras internas do nosso museu hotel, começamos pelo andar das instalações permanentes de Richard Long:  River Avon Mud Circles by the Inland Sea de 1997,  Inland Sea Driftwood Circle, 1997 e Full Moon Stone Circle, 1997




Até onde a gente nem percebe tem arte! Olha só o que nasceu nas juntas do concreto da rampa entre os andares...



Pois é isso tb é uma obra de arte, escultura em madeira hiper-realística do artista Yoshihiro Suda - Weeds - 2002
Ele faz flores e folhas perfeitas! 
Andamos pelos arredores pra ver as obras externas da exposição "Out of Bounds" de 1994 onde a proposta do entorno de cada obra foi exaltado e incluído... Com essa tarde maravilhosa foi muito lindo...

Drink a Cup of Tea (azul) de Kazuo Katase, Shipyard Works de Shinro Ohtake são 3 esculturas feitas com a carcaça de um barco, acima está só a parte da popa com buracos redondos e Three Squares de George Rickey

Impossível colocar aqui cada obra de cada artista, mas da pra ter uma pequena idéia....

Fomos andando até a praia onde tem a famosa Pumpkin da artista plástica Yayoi Kusama de 1994 que se tornou um símbolo da ilha!





Na frente desta praia tem uma área verde, mais uma parte dos quartos do hotel, o restaurante, a lojinha do museu e obras espalhadas, o Sapo e o Gato do artista holandês Karel Appel,  e La Conversation, Camel, Le Blanc, Cat e o simpático Elephant todas do fim dos 80 e começo anos 90 da artista francesa que nasceu em 1930  Niki de Saint Phalle  e muitas outras....



Voltamos a pé e jantamos no restaurante francês do hotel chamado Terrace Restaurant Uminohoshi Etoile de la Mer, apelidado de Terrace por motivos óbvios kkkkkk , que a gente nem sabia que era bom e foi uma surpresa, a degustação foi excelente! O que mais surpreendeu foi a carne wagiu maravilhoso que foi imbatível até o final da viagem, e a sobremesa.... Uma bola crocante tão fininha que eu nunca tinha experimentado antes! O vinho nem vou falar que foi covardia....



O pior é que no dia seguinte tínhamos guia às 9 da manhã nos esperando! Não foi fácil levantar pro café da manhã, que o Fernando não quiz pular de jeito nenhum, porque tínhamos reservado no Issen restaurante japones do hotel. E foi muito bom!




Saímos pra visitar os outros 2 museus da ilha com nossa guia que era bem fraquinha no quesito arte…. Aqui tem o onibus do próprio hotel que faz o intinerários arte, e tb é muito fácil e gostoso fazer a pé! Qual foi nossa surpresa quando chegamos no primeiro museu e ele estava fechado, abria em 45m. Já fiquei brava! Porque acordar a gente mais cedo se o museu não abria as 9h! Terceiro erro de guias até agora no Japão! 
Então fomos andar pelos arredores pra ver as obras por perto até abrir....


Esta é uma instalação do Tsuyoshi Ozawa chamada Slag Buddha 88 formada por 88 estelas com figuras de Buda do período Edo, nesta instalação foi usado sucatas industriais retiradas de Tshima Island.





Voltamos pra ver o Lee Ufan Museum uma parceria do artista coreano Lee Ufan com o arquiteto Tadao Ando. Lee Ufan nasceu em 1936 e tem obras expostas no mundo todo, ele foi umas das figuras principais da Mono-ha School (School os Things) dos anos 60. Sua obra mais interessante que vi aqui foi a Shadow Room onde tem uma pedra no chão e sua sombra tem imagens de água correndo, mar, lua refletida... Aqui também podemos ver obras da artista japonesa Chiharu Shiota que mora atualmente em Berlin. Esse museu é pequeno e de rápida visualização. 







Como falei nossa guia não sabia muita coisa dos artistas então sobrou pra gente fazer a lição de casa e ir atrás dos que não conhecíamos. 

Em seguida fomos ao Chichu Art Museum inaugurado em 2004, segundo o arquiteto Tadao Ando a principal preocupação aqui foi respeitar o cenário natural enterrando a arquitetura no formato da terra". Como vcs podem ver o revolucionário Chichu Art Museum é subterrâneo!



Mesmo assim toda a iluminação é natural. A ideia foi criar uma atmosfera sagrada, sem nenhuma ligação com religiões.


- Naoshima é um lugar de descobertas - diz Ando. 

O acervo deste museu é incrível! Na entrada temos um jardim que procura recriar a atmosfera de Giverny a casa de Claude Monet...



A primeira sala que visitamos e que foi preciso tirar os sapatos, foi onde se encontra os 5 painéis originais de Claude Monet da série The Water Lilies, muito lindos! 
São  acervo do museu e a iluminação do local ficou perfeita. Como não pode tirar fotos aqui dentro peguei esta da internet, mas não dá pra pra ver muito bem nem ter noção do tamanho do local, o chão foi feito todo de quadradinhos do tamanho de pastilhas de mármore carrara, por isso não se pode entrar de sapatos...

Esse museu foi praticamente concebido para hospedar essas últimas obras de Monet, e este espaço foi pensado e criado para que o expectador tivesse uma experiência estética filosofal das obras.


Esse mesmo conceito foi passado para os outros artistas que teriam espaço neste museu, a nossa próxima experiência foi no espaço do artista americano James Turrell chamado Open Field - 2000. Essa instalação tem 2 espaços conectados o primeiro é uma rampa (essa parte azul da foto) onde podemos caminhar, para isso entramos em grupo e andamos todos juntos, no fundo vemos uma tela na parede, mas quando chegamos perto podemos ver que se trata de um buraco na parede que da para uma outra sala vazia e esta ilusão ótica nos revela uma experiência de mudança de percepção. Bem interessante. Como é uma obra vivencial a foto acaba sendo somente uma referencia....



Em seguida fomos a uma outra instalação também do James Turrell, dentro da mesma linha, chamada Open Sky - 2004 A gente entra, senta nas laterais e vê essa tela azul no teto que na verdade é o céu.






Em seguida fomos a famosa instalação de Walter de Maria artista americano nascido em 1935, um dos nomes mais conhecidos da land art por suas instalações minimalistas em grande escala.  

Time/Timeless/No Time de Walter de Maria

Pra se ter uma noção do tamanho desta obra, esta esfera em granito maciço tem 2.20m de diâmetro! Fica a dica, que só depois descobri, já que nossa guia era bem fraca, essa obra deve ser vista, de preferência, no pôr do sol onde os raios são refletidos nas 27 esculturas geométricas folhadas a ouro dispostas estrategicamente nas laterais.



Além disso só agora pesquisando, descobri que tinha uma outra instalação do James Tourrell que não visitamos chamada Afrum, mais um furo da guia...

Patio triangular de pedras Chichu Art Museum 

Depois fomos tomar café e ver a vista do museu que é muito bonita... Aqui tudo tem referência ao cartão postal que são as Pumpkins da Yayoi, então nada melhor do que uma bolachinha feita de abóbora com desenho das famosas bolinhas!



Agora a vista do café é realmente linda! Olha lá nosso hotel no fundo! 




Daqui fomos para a vila pra conhecer outra obra de Tadao Ando a Art House Projects, aqui casas vazias com mais de 200 anos foram restauradas e transformadas em espaço de arte com instalações interativas, mantendo a arquitetura original.

Começou em 1998 com os artistas Kadoya, Minamidera, Kinza, Ishibashi, Gokaisho e Haisha.


Com certeza não é tudo que agrada, mas faz parte. Fomos comer Lamen num restaurantezinho indicado pela guia, e depois fomos visitar uma outra obra do James Turrel que foi bem interessante também chamada Minamidera Backside of the Moon, entramos numa casa toda escura, um grupo numa fila indiana, uma apoiando no ombro do outro e com a mão esquerda passando na parede contornando a sala, porque realmente não dava pra ver absolutamente nada até sentarmos em uns bancos encostados em uma parede. Tinha que ficar quieto olhando pra frente.
Depois de algum tempo começávamos ver uma tela ao fundo e quando todos já estavam vendo essa tela ao fundo podíamos andar até ela.







 Só chegando bem perto é que viemos que era um buraco na parede e que sempre tinha estado lá, desde o inicio. 
No fim é uma experiencia de como sempre buscamos luz e significado.

Outra obra interessante foi Go'o Shrine, um antigo templo xintoísta no alto da colina tb transformado em arte pelo Hiroshi Sugimoto.


Go'o Shrine de Hiroshi Sugimoto

Ele ambientou o local e fez uma escada de vidro ótico que vai do subterrâneo até a parte superior do templo para que todos os seres até os que vêm do mar  tenham acesso ao templo...
Voltamos para o hotel mortos de tanto andar!
No quarto fomos brindados com um maravilhoso pôr do sol!




Hoje tínhamos marcado o restaurante japonês do hotel e estámos felizes por não ter que andar até a praia para o Terrace….
Estávamos animados também com o restaurante porque nosso café da manhã japonês tinha sido nele e tinha sido muito bom, o menu degustação foi bom, mas nada de mais.... O francês foi muito melhor!

No dia seguinte saímos cedo pra pegar a balsa pra outra ilha chamada Teshima 
onde veríamos 6 instalações de arte, esta ilha fica perto, mas não tem barco direto, então tínhamos que pegar o onibus do hotel até a balsa, pegar a balsa voltando para o porto de Una e do porto pegar um outro barco pra ir. 
Nossa bagagem já estava toda fechada na recepção e seria levada pelo nosso motorista que ficaria nos esperando no porto, pois a tardinha votaríamos e iriamos de trem direto pra Kyoto. 
A guia tinha nos advertido para não atrasarmos porque só tinha um barco pra Teshima, então meia hora antes já tínhamos decido, pago a conta e estávamos sentados no saguão. Ela chegou, nos levantamos pra ir e ela falou que não precisava porque faltavam 15m ainda para o onibus passar...  Bom ficamos ali até o Fernando falar depois de 10m que era melhor ficarmos na frente do hotel já no ponto do onibus... Saímos e nada do onibus... Aí ela entra pra perguntar e depois volta falando que o onibus tinha passado 10m antes do horário! 
Outro stress... 
Sem termos condução pra descer rápido até o porto... O Fernando ficou bravo com ela... No fim acabou passando um outro onibus que nem era do hotel e que nem ia pro porto e pegamos ele mesmo... Aquela correria e a guia falando que Teshima nem tinha tantas obras assim, ou seja não iriamos perder muita coisa... Só que tínhamos vindo pra cá justamente porque ficamos super animados com uma delas era a que nos tinha sido super recomendada…
Começamos a perceber algo que durou até o final da nossa viagem, os guias aqui são despreparados! Sempre viajamos com a Teresa Perez e nunca antes tivemos problemas com guias, mas aqui no Japão foram 95% delas idosas e  ruins... Acabei até encontrando 2 amigas de São Paulo sem querer e as duas reclamaram das guias também.... 
Apesar do stress, no fim corremos e conseguimos pegar o barquinho de passageiros para Teshima. 
No caminho mais refinarias e transporte de minérios....





Na ilha nos dividimos pegando onibus e taxi, porque segundo a guia a preferencia aqui pra pegar onibus são das pessoas que moram na ilha e não dos turistas...




O nome Teshima significa Te abundância e Shima Ilha, é uma ilha rural com mais ou menos 1000 habitantes. Há anos atrás houve um grande escândalo quando foi descoberto 600.000 toneladas  de lixo tóxico na ilha, em 2000 depois de 25 anos de batalhas jurídicas o lixo foi retirado e levado para ser reciclado em Naoshima.




Chegando lá fomos direto pra primeira instalação chamada Les Archives du Coeur do artista frances Christian Boltanski
 que foi montada numa pequena construção numa praia da ilha.



Esse projeto começou no verão de 2010 em Londres quando o artista recolheu o batimento cardiaco de vários voluntários. Na formação de Teshima houve a oportunidade de deixar todos eles registrados junto com muitos outros gravados na própria ilha. Como a digital, o batimento cardíaco é único e aqui foi transformado em arte.



Nossa guia não gostava muito porque a luz pisca enquanto se ouve o batimento cardíaco e é meio escuro, tinha medo.... 

Daqui voltamos a pé até a vila pra pegar um taxi pra ir para o tão esperado Teshima Art Museum. 




É sempre complicado quando se tem uma expectativa alta, mas aqui não houve nenhum desapontamento e sim, na verdade um encantamento...



A entrada não fala muito, tem um rapaz que nos explica que não podemos fotografar, fazer barulho, falar, e temos que entrar sem os sapatos... 




A entrada não diz nada, mas lá dentro é uma coisa difícil de se explicar... 


Essa instalação juntou a criatividade do arquiteto Ryue Nishizawa com a genialidade da artista Rei Naito nesta incrível instalação a céu aberto! A construção foi feita acompanhando o formato da colina   e depois foi escavada toda a terra de dentro....




A artista Rei criou uma atmosfera de paz e tranquilidade onde pequenas gotas de água afloram do chão, de minúsculos buracos imperceptíveis no solo de cimento branco, essas pequenas gotas vão formando pocinhas que ás vezes escorrem se juntando umas as outras... Em alguns poucos lugares há pequenos ralos abertos onde, às vezes, se escuta a água caindo.... Uma delicadeza de vida continua....
Lindo demais!


Ficamos aqui 1h sentados sem querer sair... O canto dos pássaros na mata ao lado preenchia o local e parecia que eles cantavam aqui dentro, nesse mundo de tranqüilidade onde mesmo o tempo não parece ter limites pela forma do espaço sem cantos, o tamanho enorme, o silêncio, a delicadeza e o cuidado pra não se pisar em nenhuma gotinha... 





Uma obra viva onde nada prevalece e nada falta.... onde tempo não existe... pura perfeição..... 

Saímos de lá e fomos almoçar na lojinha desse museu, só 2 onigiris sem recheio, só arroz, mas tb pra que mais coisas depois dessa experiência.... 




Em seguida fomos ver uma obra da artista japonesa Mariko Mori chamada Tom Na H-iu que simboliza vida e morte na nossa época, o antigo e o higt-tech...






É tipo um monólito celta feito com vidro opalescente com Led dentro. Bom isso fiquei sabendo depois pesquisando na internet porque como já disse nossa guia era bem fraca no quesito arte e infelizmente as placas aqui com explicações são todas em japonês... Outro problema é a internet 3G que tb não funciona pra pesquisas rápidas no momento em nenhum lugar!  Enfim descobri depois que o melhor momento pra ver esta instalação é a noite...





Este monolito está em sintonia com as informações enviadas via internet do Super-Kamiokande Neutrino Observatory em Tokyo e cada vez que é detectado uma partícula de uma estrela supernova o monólito responde com um flash azul, verde, amarelo ou rosa....
Moderno né?

Depois voltamos a cidade que também tem instalações nas casas e terrenos, nesta parte fizemos tudo a pé. A primeira instalação é do artista Shinro Otake que uniu essa estrutura abandonada há 30 anos que foi uma antiga fabrica de agulhas de costura com a estrutura de madeira usada como forma de barcos de fibra de vidro, tb abandonado num estaleiro há 30 anos.





Em seguida fomo visitar a Theshima Yokoo House uma obra do artista Tandanori Yokoo com colaboração do arquiteto Yoko Nagayama. Aqui uma casa de moradia foi restaurada e compreende 3 espaços distintos a casa principal, o depósito e os toilets! Isso fora o jardim de pedras!
O diferente aqui é como um simples vidro colorido pode alterar completamente as cores reais, como nossa percepção se engana quando algum filtro é colocado...




Além desses ambientes tem a torre cilindrica onde se pode entrar e ter uma experiencia de estar num túnel infinito formado de postais de quedas água nas laterais e espelhos.




Aqui terminamos as instalações de Teshima, mas como tínhamos um tempo ainda até a saída da balsa fomos tomar um café no conhecido multiuso espaço (café/restaurante/casa de shows/galeria) Il Vento, famoso por seus ambientes com ilusão de ótica....



O espaço estava fechado para o café, mas pudemos entrar e conhecer... Saímos pensando em algum outro lugar pra tomar um café e esperar, foi aí que consegui entrar na internet com o WiFi do Il Vento e ver que em Teshima tem alguns produtores de morango... O Diego nosso filho, a Gabi e amigos tinham vindo esquiar aqui no Japão em Niseko, lugar que dizem ter o melhor powder do mundo, um mês antes da nossa chegada e tinham ficado impressionados com os morangos e tinham nos dito pra não deixar de comer. Olha eles aí!





Comentando com a guia ela falou que tinha um lugar simples que eles vendiam os morangos e onde poderíamos comer também, no fim era perto e foi uma delícia!



Realmente os morangos aqui são divinos! Enormes, perfeitos e deliciosos! Imperdível!!! 
Compramos 6 caixinhas e levamos pra Kyoto! 

As 3:30 pegamos a balsa de volta pra Uno nosso motorista estava esperando com nossa bagagem e saímos com destino a Okayama onde pegamos o Shikensan ou trem bala pra Kyoto, foi 1 hora de trem onde comemos 1 das caixas de morango!

Pra quem gosta de arte contemporânea e estiver planejando a viagem pro Japão, Naoshima e Teshima são bem interessantes!