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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ananda Spa-Rishikesh - Índia 2008



Depois de Agra voltamos para Delhi e fomos de trem para Rishikesh, na verdade acho melhor ir de avião, no nosso caso como quando fechamos a viagem não íamos para Agra, então resolvemos ir de trem para passar por essa experiência, que é bem interessante, mas isso só vale para quem não tiver experimentado antes, se não de avião é mais rápido.
De trem são 4 horas, eu gostei porque é sempre bom termos ideia de como são os campos, pequenos vilarejos, etc. por onde o trem passa. Mas com certeza a coisa mais típica foi nosso vizinho no trem!




É um homem santo de celular! Pode?
Ah! E tem mais com direito a um discípulo, acho que era alemão, todo certinho, de calça social e camisa que fazia tudo pra ele!
Nem o leite com sucrilhos ele preparou, foi o discípulo!
É pra quem pode!
Quando decidimos fazer esta viagem, a princípio não íamos fazer a Índia, mas como nossa parada era obrigatória em Delhi, para podermos chegar no Nepal, resolvemos conhecer um pouquinho, porque com tudo que falam, não estávamos muito animados...
Bom com certeza foi nossa melhor incursão pela India!
Quando nos falam que querem conhecer a Índia, indico sem medo de errar este trajeto que fizemos, pois até hoje acho que é o mais bonito, e tem a cara da Índia que nós brasileiros esperamos, que é mais hindu e menos muçulmana.



Delhi é normalmente a porta de entrada, Agra é imperdível e a cidade sagrada Rishikesh é o lugar dos asrhrams, local onde os Gurus ficam, pregam e, normalmente, aceitam e hospedam discípulos.

Em fevereiro de 1968 os Beatles visitaram o ashram do Maharishi Yogi que era em Rishikesh e compuseram 48 músicas aqui, entre elas "The happy Rishikesh Song" de John Lennon.
Por tudo isto e todas estas lojinhas indianas que vimos desde criança, seus tecidos maravilhosos, seus brincos, pulseiras e anéis que nos encantaram por todos esses anos; mais os mantras, meditação, seus deuses, enfim traços da sua cultura que entramos em contato no Brasil é que acho que o que imaginamos de Índia é bem isto que encontramos aqui!
Bom com certeza vão haver muitas postagens de Rishikesh, pois tenho muita coisa interessantes pra falar e mostrar.




A primeira delas é nosso hotel!
O Ananda Spa nos Himalayas nos foi indicado pela Teresa Perez e foi considerado o melhor Spa por 6 anos!
Nesta área de 2.300 metros quadrados do hotel encontra-se a antiga residência de verão do Maharajá de Tehri-Garhwa, onde hoje fica a recepção e a suite real.



Na época dos marajás todos eles tinhas a residência de verão onde ficavam por 3 meses, pois o calor era insuportável!




Este Spa é fundamentado em medicina Ayurveda, Yoga e Vedanta. Então para quem quiser, pode passar pelo médico do Spa, sem custos nenhum e ele vai indicar seu dosha (que é o tipo biológico de cada indivíduo segundo a medicina ayurveda) e tb as massagens, tipo de óleos e sua dieta.
Tudo funciona perfeitamente, a comida é muito boa, e o melhor, vc faz se vc quiser!
Não tem ninguém te vigiando, e para quem não quer tem o cardápio gourmet com direito a vinho e tudo mais que vc possa imaginar.




A linha do Spa é holística incentivando a harmonia fisica e mental, privilegiando o silêncio e a paz de espirito, tudo isto envolvido pela beleza do lugar.
Explicando um pouquinho mais sobre os doshas, segundo a medicina Ayurveda, todas as pessoas possuem 3 doshas, mas em proporções variadas. Eventualmente, há excesso ou carência de um dos 3 doshas, o que constitui um desequilíbrio, que pode provocar uma doença.
A medicina Ayurveda restabelece o equilibro original dos doshas por meio de dietas, exercícios físicos, plantas medicinais, meditação, yoga e massagens específicas. Simples né?




Assim que chegamos eles nos dão uma roupa de algodão branca que pode ser usada todos os dias, se vc quiser. Ah! Todos os dias tem uma roupa limpinha no armário e no seu tamanho, pra trocar, e sabe do que mais, todo mundo usa!
É uma delícia, porque além de fresquinha, vc não precisa levar a mala, que pode ficar em Delhi então só viemos com a bagagem de mão!
Viajar leve é outra coisa!!!



Pra quem vier aconselho fazer a massagem a quatro mãos chamada Abhyanga, a melhor massagem do mundo!!!! Feita com o melhor óleo do mundo!!!
Gente nunca vi um óleo tão bom, fininho, sem ranço nenhum!
Perfumado e advinhem, não é um pouquinho que elas passam não, são litros usados na gente, morninho...
E a pressão, perfeita nas 4 mãos, e os movimentos hiper sincrônicos!
Parece impossível né? Mais existe e é aqui!!!
Além de tudo isto, temos a vista de Rishikesh e do Ganges, perto de onde ele nasce, por isso ele está limpo e azul turquesa!



Bom nem vou falar mais porque vcs vão achar que é mentira!
Ah! Os passeios são oferecidos pelo próprio hotel, então não precisa de guia extra nem nada... É só escolher e marcar!

Então amanhã marcamos para ver o nascer do sol num templo no meio dos Himalaias!
Depois eu conto!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Kunjapuri Devi Temple - Rishikesh



Hoje levantamos bem cedo para ver o nascer do sol no templo Kunjapuri. Situado a 1.645 mts de altitude, num dos picos dos Himalaias acima do Ananda Spa.




Saímos do hotel e andamos uns 30 minutos de carro e depois subimos os 300 degraus até o templo!



Foi aqui que aprendi a subir escada! É, verdade!
Bom antes tarde do que nunca!
Depois de um tempinho que comecei a subir meu guia virou pra mim e disse, vc não sabe subir escada, assim não vai conseguir subir até o fim.
Olhei pra ele e, ofegante, perguntei: E como é que se sobe?
Ele disse vc tem que achar um ritmo onde seu coração tenha tempo para oxigenar o sangue, e neste seu ritmo não está acontecendo isso, por isso vc está ofegante.
Simples né!
Bom achei o ritmo, que aliás é bem lento, mas que funciona perfeitamente!
Não coloco um pé em cada degrau, mas subo um e junto o outro pé, depois o outro e junto tb o outro pé, e assim por diante...
Subi todos os degraus feliz da vida, sem nenhum problema e sem precisar parar!
E nunca mais esqueci!!!



Depois deste aprendizado importantíssimo chegamos ao portal, e como em todos os templos tem sempre um sino que deve ser tocado para avisar o deus ou deusa do templo que alguém está chegando...



O panorama é incrível!



O interessante é que podemos ver vários outros picos do Garhwal Himalayas tais como Banderpunch (6316 Mts), Swarga Rohini (6252 Mts) Gangotri ( 6672 mts) Chaukhamba (7138 mts) etc.
E ainda nosso guia do hotel leva café e chá! Dá pra imaginar?



Esse templo é dedicado a Sati primeira esposa do Lord Shiva, conta a lenda que como seu pai Daksha Prajapat não aprovou seu casamento com Shiva ela se auto imolou jogando-se na fogueira durante a festa cerimonial onde seu pai anunciaria seu novo esposo. Shiva furioso e inconsolável carrega sua amada pelos Himaláis e em cada um dos 3 lugares onde caíram as partes do seu corpo transformaram-se em lugares sagrados conhecidos como Kunjapuri, Surkanda Devi e Chandrabadni formando o conhecido Triangulo Sagrado.
Venerado como Shakti Peetha - a sede de Shakti ou poder feminino o templo é bem simples.



O lugar é lindo!!!




E o melhor! Descer foi muito fácil, nem precisei de aula!




Na volta paramos pra tirar fotos de um outro templo ao pé da montanha, bem ao estilo hindu!
Coloridíssimo, cheio de oferendas sendo vendidas na entrada e infelizmente muitas flores de plástico. Na frente uma árvore enfeitada com uma pedra representando o lingam (simbolo shivaista fálico masculino da energia criativa) ao lado!
É só clicar em cima para poder ver cada foto em tamanho natural...

sábado, 18 de outubro de 2008

Aarti o ritual do fogo - Rishikesh



Estamos indo participar da Cerimônia Ganga Aarti (ritual do fogo no Ganges) no Parmarth Niketan Ashram.
Para isso cruzamos o rio de barquinho, estava um entardecer maravilhoso!



Ao chegarmos no Ashram foi uma surpresa, pois ele é um dos maiores de Rishkesh, tudo muito bem cuidado, os jardins são bonitos... A limpeza deixa um pouco a desejar, mas acho que em parte é pela grande quantidade de macacos que circulam pelos telhados, árvores, etc.



Este ashram se dedica a dar saúde ao doente, educação aos analfabetos, comida aos famintos, abrigo aos desabrigados e esperança aos que não tem mais nada na vida...

Eles conseguem manter tudo isto com doações feitas pelos "hospedes", peregrinos, visitantes e seguidores do lider atual Pujya Swamiji Chidanand Saraswatiji Maharaj.

Para os peregrinos em busca espiritual o ashram oferece meditacão, cantos, e ensinamentos e é permitido aos interessados ficarem até 15 dias. Mais do que isto é preciso um autorização especial. É dever de todo peregrino devolver o quarto como encontrou e mante-lo limpo e arejado.
Tb tem os trabalhos voluntários na cozinha e templos e como se trata de um retiro espiritual, não pode fumar, beber, ouvir músicas ou usar computadores...




Pujya Swamiji Chidanand Saraswatiji Maharaj tem inúmeros projetos de assistência aos necessitado, inclusive na execução da primeira enciclopédia de hinduísmo da Índia.



Sua história é bem interessante, dos 9 aos 17 anos ele seguiu seu mestre pelos himaláias e viveu na floresta em voto de silêncio durante esses 8 anos.
E catedrático em Sancrito e Filosofia.
Suas palestras são conhecidas mundialmente.



Seu discurso é ecumenico, ele diz, se vc for um hindu, seja um hindu melhor, se for um cristão seja uma cristão melhor, se for um muçulmano, seja um muçulmano melhor, e assim por diante...




Pra vcs terem ideia eles tem lugar para hospedar 1000 pessoas, isto fora os discípulos, a maioria deles crianças... Vê-las cantar na cerimônia com tanta devoção foi emocionante!




O significado da cerimônia é muito bonito, a palavra Aarti significa "remover a dor" por pretendermos com nossa mente abarcar o conhecimento.

Primeiro chegam os visitantes que lotam as escadarias em frente ao Ganges. Todos os peregrinos e discípulos do ashram devem estar presentes no que eles chamam de "happy hour".



O último a entrar é o Guru com todos entoando mantras, muito bonito!
Essas escadarias ficam de frente para o Rio Ganges e bem na frente tem uma enorme estátua do deus Shiva, a mais bonita que eu já vi!
Reparem na serenidade.....




Depois acontece o ritual onde são acesos as "deepas", lamparinas de óleo que serão oferecidas as águas do Ganges para mãe Ganga.



A essência da cerimônia é que todos os dias Deus nos oferece a luz do sol, a luz da vida, a luz da sua benção. Aarti é a hora de todos nós dizermos obrigado, devolvendo nosso agradecimento, nosso amor e nossa devoção.
Isso tb nos faz mais humildes por entender como é pequena esta nossa chama perto do sol que nos ilumina sempre.



Na hora de ir embora não pegamos o barco e passamos pela ponte Ram Jhula que significa "God's Swing" e quem passa por ela pode entender o porquê!
Como é uma ponte suspensa ela faz o mundo balançar...



É uma ponte muito antiga e bem estreitinha e movimentada! Fora as vacas e os macacos, as motos são o que mais atrapalha, porque eles passam correndo.... Bem ao estilo indiano!




Os passeios hoje foram lindos!
Se eu soubesse que este ritual era tão bonito, teria vindo 2 noites, porque eles fazem todos os dias...
Mas deixamos para vir no penúltimo dia e amanhã a noite não estaremos mais aqui...



Quem sabe numa próxima vez!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Rishikesh e o hinduismo




Hoje a tarde marcamos um passeio pela região ao lado do Rio Ganges, onde ficam a maioria dos templos, Ashrams e Sadhus, ou homens santos, conforme a tradição hindu.
Depois, no por do sol, vamos assistir ao festival do fogo no Ganges...
A região é muito bonita e impregnada desta cultura milenar!



O hinduísmo conta que Shiva é o aspecto de Brahman, o Absoluto, na trindade hindu que representa a destruição, a transformação para um novo renascimento.

Shiva destrói para construir algo novo, assim, é preferível chamá-lo de "renovador". Suas primeiras representações surgiram no neolítico (4.000 a.C.) na forma de Pashupati, o Senhor dos Animais. Shiva é o deus supremo (Mahadeva), o pacífico (Shankara) e o benevolente, onde reside toda a alegria (Shambo ou Shambhu).




Há uma lenda que diz que Ganga era um rio muito violento e não podia descer à Terra pois a destruiria com a força do impacto. Então, os homens pediram a Shiva que ajudasse e ele permitiu que o rio caísse primeiro sobre sua cabeça, amortecendo o impacto e depois, mais tranquilo, corresse pela Terra.




As vezes Shiva é visto como NATARAJA, como a direita no painel acima, o deus das artes e das danças, o dançarino cósmico, bem como o senhor das artes marciais e o protetor dos animais.

Numa de suas mãos ele carrega um pequeno tambor que anuncia a criação e noutra, o fogo da renovação. Sua mão estendida representa sua força superior, e o pé levantado simboliza a liberação. Ele dança sobre um demônio que representa a escuridão e o mal, estando assim, acima da ignorância e de todo mal, e em seu braço direito há uma serpente demonstrando que SHIVA domina todas as riquezas naturais.

As vezes ele é encontrado num estado de meditação, demonstrando que é o deus do Yoga.

Os símbolos de Shiva são: Trishula (tridente), Serpente, Ganga, Linga, Damaru (tambor), Fogo, Nandi e a Lua Crescente. Podemos encontrar seus símbolos por toda parte nos templos e fora deles.




Apesar de estamos na região de Shiva perto da nascente do Ganges, vamos falar um pouquinho de Vishnu...




Vishnu é o deus principal da trindade hindu, representa SATTVAGUNA, o modo da bondade, e é responsável pela sustentação, proteção, e manutenção do universo. VISHNU é a fonte original de todos os Avatares e deuses. Ele está Presente em cada átomo da criação, bem como no coração de todos os seres.

A palavra Vishnu significa "aquele que tudo penetra", ou "aquele que tudo impregna".

É apresentado de duas formas principais:

Deitado em uma serpente de mil cabeças, flutuando num oceano de leite. Neste caso é chamado de Narayana, aquele que mora nas águas cósmicas. De seu umbigo sai um lótus onde está Brahma, o criador. A seus pés está Lakshmi, representando a beleza e a riqueza que devem se curvar diante do Absoluto. Envolvendo o lótus está uma serpente, Shesha, ou Ananta, que simboliza a eternidade. Ela possui mil cabeças voltadas para o Senhor Vishnu, representando o ego com seus mil desejos e pensamentos que reconhecem o Absoluto.




Vishnu é representado também em pé, sobre um lótus ou uma serpente, como vemos nesta rua de Rishkesh. Representa o sábio indicando a busca do conhecimento. Apresenta quatro braços, tendo em cada mão um lótus (o conhecimento que sustenta a pureza da mente), um disco (a destruição da ignorância e dos apegos), uma concha (a origem da existência, os cinco elementos) e uma arma, a massa (o poder do conhecimento, o poder do tempo).

Vishnu é tido como o preservador do universo, enquanto os dois outros deuses maiores, Brahma e Shiva, são considerados os criadores e destruidores do universo, respectivamente. Os seguidores de Vishnu são chamados Vaishnavitese e sempre tem 2 traços brancos na testa!



Andar por tudo isto visitando os templos, as mulheres lavando as roupas no rio, as ruas fervilhando de lojinhas foi emocionante!



Olhem esta vendedora de guirlandas, que coisa mais linda!!!



Agora vamos atravessar o rio para ver o ritual do fogo em um ashram!
Depois eu conto...