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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Mandalay




Mandalay é a segunda maior cidade de Myanmar e foi capital a última capital real da Birmânia, entre os anos de 1860 e 1885, até a invasão inglesa que mandou o rei Thibau e a rainha Supayalat para o exílio na India



Alguns tesouros do palácio deles pode ser visto ainda hoje no Victoria and Albert Museum em Londres.


Em 1904 um terço da população da época deixou a cidade por causa de doenças trazidas pelos imigrantes indianos. Depois disso a cidade sofreu outro êxodo com varios danos físicos na época da ocupação japonesa na segunda guerra mundial de 1942 a 1945. O palacio se tornou local de suprimentos do japoneses e foi bombardeado pelos aliados... Uma réplica fiel foi construida no locar, o que pode nos dar a idéia do que era.




Mas a parte mais bonita são as muralhas que ainda são originais...




A Birmânia tornou-se independente em 1948 e em 1962 teve início a primeira ditadura militar. Hoje Mandalay tem 1 milhão de habitantes e é considerada a capital cultural e tb é onde se concentra o maior número de escolas budistas do país.

Em 1981 a cidade sofreu um grande incêndio que destruiu mais de 6.000 casas e predios publicos, deixando mais de 36.000 pessoas desabrigadas. Em 1984 um outro incêndio destruiu mais 2.700 casas deixando mais 23.000 pessoas desabrigadas... O fogo ainda continua sendo o mair vilão da cidade quimando o segundo maior mercado Yadanabon Market em fevereiro de 2008. Em 2009 novamente mais um incêncio detruiu mais 320 casa...

Em consequência destes incêndios parte da cidade ficou renovada em alguns pedaços e antiga em outros.

Nos anos 90 houve uma grande imigração chinesa na área e hoje os chineses são 35% da população.





Mas o que nos interessa não é esta parte nova, mas a parte antiga, onde a vida parece não te mudado nesses anos todos...




As casinhas ainda são de madeira, os templos estão por toda parte assim como os monges e nos mercados achamos grande quantidade de peças entalhadas em jade, madeira, madreperola, Budas de mármore ou jade branco, tecidos em seda e peças de adorno dos templos em bronze, prata, ouro e pedras preciosas.

Fomos ver como eles fazem as folhas de ouro que são vendidas nos templos.
Impressionante!




A técnica é a mesma de sempre, uma pequena pepita é colocada entre camadas de um papel amarelado especial feito de bambu, finalizado com couro e batida manualmente com uma marreta várias vezes. Este tempo é medido por uma balança d'água composta de uma tigela com água uma concha feita de casca de coco com um furinho por onde a água vai entrando e uma vareta onde o tempo é marcado.






Quando eles abrem o couro tem uma pequena placa de ouro que é partida em 4 partes que são intercaladas com papel novamente e lá se vão mais marretadas, e assim vai até ficar bem furinho. Com diversas folhas intercaladas.

Depois as mulheres partem e colam num papel quadradinho que é vendido em todos os templos!




As pedras preciosas são um capitulo a parte. Os rubis da Birmânia sempre foram considerados os melhores do mundo e para o povo eles são como frutas, ficam maduros e quando mais maduros mais vermelhos ficam, por isso se tornam mais caros. Simples né? Para quem se interessar aqui é o lugar direto da fonte! Eles estão por todos os lugares e deixam qualquer mulher louca, estão ali, ao alcance das mão e o melhor, do bolso!
O preço com certeza é muito mais barato que em outros lugares.




Na saída nos deparamos com os monges brincando com o jogo nacional!

Com certeza vcs já viram a bola sendo vendida no Brasil, muitas lojas vendem como enfeite. Ela é feita de ratam toda vazada e tem o tamanho de um coco. Mas não é fácil jogar não, só pode ser jogada com os pés e não pode cair no chão!




Bom exercício, experimentem!!!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Laca uma paixão! Mandalay



Hoje fomos visitar uma "fábrica" artesanal de Laca.
Na verdade eu nunca fui muito amante de laca, na época em que casei as lojas de decoração vendiam coisas de laca trazidas da Tailândia, e depois virou uma coisa meio "kitsch".

Bom depois desta visita fiquei apaixonada e hoje temos algumas peças antigas maravilhosas em laca, compradas principalmente nesta viagem.




Dizem que "só se ama o que se conhece" acho que é a pura verdade!!!
Mas vamos lá, vou contar como esta paixão começou!

Chegamos ao local onde o pessoal fazia as lacas e aí eu pude conhecer e apreciar passo a passo como o processo é feito.





Primeiro o objeto a ser laqueado, vai desde peças de todo tamanho de madeira, (enfeites, utilitários, móveis, entalhados ou não, imagens de Buda, etc.) , bambu, cestaría, e peças feitas com crina de calavo!
É crina de cavalo trançada!
Eu já tenha visto flores feitas disso no deserto do Atacama, é um trabalho lindo, imaginem a delicadeza deste trabalho laqueado...

Logo na chegada vimos diversas moças sentadas no chão trabalhando!




É um trabalho impressionante, minucioso e cheio de detalhes minúsculos! Tem que ter vista boa!

Bom a laca é uma resina de uma árvore (Toxicodendron verniciflunnm) chamada vulgarmente árvore verniz.



Essa resina é solúvel na água e seca endurecendo lentamente por evaporação. Quando a água toda é evaporada ela se torna dura, resistente e impermeável!

Bom a técnica veio da China antiga com registros arqueológicos de 8.000 atrás!
Depois espalhou-se pela Korea, Japão, Birmânia e Indochina. Na India eles tb tem uma laca, mas extraída de um inseto. Os japoneses alegam que eles já tinham laca antes dos chineses, mas nada foi provado até agora.

Os chineses logo descobriram que a laca extraída da árvore verniz provocava uma dermatite induzida pelo ingrediente ativo chamado Urushiol, e com isso descobriram tb como tratar este mal com crustáceos o que ajudou esta arte chegar até nós!

Na Birmânia a árvore verniz chama-se Thitsi e é encontrada nos arredores de Bagan, e sua resina não provoca alergia, então os trabalhadores não precisam ser medicados, porém a secagem é mais lenta. Há muitos vendedores de pequenas peças pela região...




Mas não é assim tão simples! Se fosse não teria sido os chineses que teriam descoberto, certo? Vcs sabem, eles gostam de coisas complicadas... Inventaram a porcelana, os fogos de artifício, o macarrão, a seda, o barco a remo, a pólvora, tipografia, roca de fiar, o papel, o balão, o paraquedas, o fósforo, o relógio, o jogo de xadrez, etc. Só coisas fáceis!!!

A Laca foi sempre cobiçada pelos seus atributos e por causa disso o mundo inteiro tentou inventar algo que pudesse imitar suas qualidades. O plástico foi uma dessas tentativas que na minha opinião se tornou o lixo do planeta! Mas vamos lá, a partir dos anos 20 foram desenvolvidos muitos vernizes coloridos a partir da laca, com isso a descoberta da tinta de cor Japan Fast com secagem rápida ficou popular nesta época! Mas s pioneira a usar em larga escala foi a industria automotiva General Motors com a cor Bright Blue fabricada pela DuPont!

Mas a paixão aconteceu não por toda essa informação e investimento em tecnologia, mas por conta da beleza das peças e do método ancestral que ainda é feito em Mandalay...

Vamos lá, eles pegam a peça a ser laqueada e dão uma primeira demão de laca e aí ela vai para um quarto que fica debaixo da casa para secar lentamente.



A peça fica lá de 1 a 6 meses secando no escuro, dependendo do tamanho da peça.
Depois a peça leva outras camadas de laca e volta para escuridão, até que se obtenha uma peça dura e resistente.
Aí começa o polimento com cinzas. Este trabalho é que vai revelar a uniformidade da peça e dar brilho.



Caso a peça tenha o famoso vermelho chinês, esta é a hora de coloca-lo adicionando o pigmento do mineral Cinnabar ou Cinábrio (sulfureto vermelho nativo do mercúrio) a laca, e com mais uma ou mais camadas desta laca cinnabar a peça volta para secar quantas vezes for necessário.
No caso das peças desenhadas, elas são feitas normalmente sob a laca preta, a parte vermelha normalmente fica por dentro da peça ou se elas são entalhadas.



Caso a peça for pintada isto é feito quando a peça está preta acinzentada no fim do polimento, e sempre são os homens que desenham, a mão livre com instrumentos pontiagudos, sem moldes ou cópias. Tudo é criado na hora!




Depois as mulheres vão fazendo texturas nas partes que devem levar outras cores, as linhas retas com régua e ponta seca, nas fotos abaixo dá para ver as partes em cinza, nelas a nova cor vai aderir!




E para cada cor a peça passa mais um tempo no quarto escuro. Então quanto mais cores, mais trabalhosa a peça é e mais tempo leva para ser feita podendo até ter mais de 12 estágios de secagem.



As lojas são cheias de trabalhos de laca que vão desde enfeitinhos e tijelas simples e baratíssimas até os trabalhos mais caros, todos desenhados!



Sendo assim me encantei por umas peças decorativas feitas de crina de cavalo e todas trabalhadas que resolvi que seriam para um jantar chiquérremos que um dia eu vou dar e que pretendo usá-las como redoma de uma entrada que eu ainda não inventei...
Bom, graças a Buda o Fernando comprou esta história e eu consegui trazer 12 peças lindas, apesar da mala estar estourando!




Ah! A laca está tb representada desde o sec.XII nas imagens de Buda!




Mas com certeza as peças mais bonitas são as antigas! O preço é meio salgado, mas o trabalho é maravilhoso!

Ponte U Bein





Este é o nosso último dia em Mandalay e fomos para Amarapura, antiga capital do reino da Birmânia, visitar a mais longa ponte de madeira teca do mundo. Para isso pegamos um dos diversos barquinhos que ficam a margem do lago...




A ponte tem 1.2kl de distância através do lago Taungthaman, 10kl ao sul de Mandalay.




Ela foi construída no secXIX por U Bein quando a capital do reino de (Ava)Innwa se mudou para perto de Amarapura.




Hoje alguns dos 1000 pilares da ponte foram trocados por concreto
no mais a ponte continua intacta e é indispensável para o dia a dia da população.




Hoje essa ponte se tornou lugar obrigatório dos turistas que passam por aqui. O importante é escolher o horário para a visita onde o nascer ou o por do sol possa sair no reflexo das águas...




Como vcs podem ver é sempre fácil encontrar os monges por aqui...






Por causa dos turistas as mulheres e crianças vendem diversos colares de jade, flores e sementes, vale a pena parar pra vere ajudar...






Eu comprei 3 colares maravilhosos de jade verde por US$2 cada! Claro pagamos US$10 (uma pechincha) para ajudar o que deixou a menina muito feliz e eu tb!


Agora vamos para a montanha de Mandalay visitar um templo e 2 escolas monásticas.

domingo, 1 de novembro de 2009

Kuthodaw Pagoda - Mandalay



Esta é a Kuthodaw Pagoda onde se encontra o maior livro do mundo!

Verdade, está no Guinness!

Logo na chegada vimos o portal, mas não dá pra ter idéia do que iríamos encontrar...




Como sempre compramos as guirlandas de flores para ajudar, apesar da criança estar cansada e ficar ali junto com a mãe, é impossível não ajudar.
Ficamos sabendo que cada pessoa precisa de U$1 por dia pra sobreviver, e os poucos turistas acabam sendo a uma das únicas fontes disponíveis para muitos...




Mas voltando a Pagoda, ela foi construida pelo rei Mindon em 1857 e é circundada por 729 pequenos templos.



Quando entramos percebemos que o silêncio impera e o local é mágico!




Andar pelo meio desses pequenos templos, sem ver ninguém, sem sentir o tempo passar, só o branco das construções e o azul do céu...




Dentro de cada templo tem uma pedra em pé(como uma pagina de um livro) onde estão entalhadas todas as escrituras budistas.




Elas foram reconhecidas e aprovadas pelo Quinto Sínodo Budista - Conselho que teve lugar em Mandalay em 1871 presidido por 3 veneráveis mais 2.400 monges que recitaram todas as escrituras existentes do budismo para serem entalhadas!
Não dá nem para imaginar o que dever ter sido este evento para época!





E andando por estes templos vamos encontrando os templos maiores, coloridos e folhados a ouro, sempre um trabalho bonito.





Mais a frete, no meio do complexo encontramos a Pagoda!




Pra vcs imaginarem a área inteira esta é uma foto da maquete...







Viajar para lugares exóticos nos mostra coisas que a gente nem imagina que existam!!!









Foi um final de dia maravilhoso!

sábado, 31 de outubro de 2009

U Min Thoze Pagoda





No nosso último dia em Mndalay fomos visitar o U Min Thoze Pagoda Sagaing Burma que fica em cima da colina de Mandalay.


A vista é maravilhosa!!!





Buda é aquele que percebeu por si só uma realidade que não depende de crenças. Uma realidade que vai alem da memória e da tradição. Uma realidade que foi além da conhecida e por isso tornou-se sem inspiração no desejo por continuidade do que chamamos “eu”.
Por tudo isso é capaz de despertar em outras pessoas a chama da inteligência.
Ele não pregava o desejo por ser melhor nem perfeito, portanto o objetivo não está num futuro distante, simplesmente porque não há objetivo nenhum.
Isto é liberdade!




Neste templo tem 45 imagens de Buda, cada uma num nicho como se fosse uma caverna, numa linda construção semicircular que torna o local mágico.

É claro que a maneira com que eles pintam as estátuas hoje não tem o mesmo charme dos locais antigos, pois são muito coloridos e infelizmente estão usando tinta dourada no lugar das folhas de ouro, mas como estamos sempre dispostos a ver o lado bonito da coisa, daqui a 100anos deve ficar lindo!




Sagaing fica localizada a 21kl de Mandalay cruzando a ponte pelo rio Ayeyawady.






Sagaing foi a capital da Birmânia depois de Bagan em 1315 sendo depois tranferida para In-wa/Ava pelo neto do seu fundador Thado Minbya.

Sagaing tem inúmeras pagodas e monastérios em suas motanhas e até hoje é o centro religioso da região. Hoje estudam no local 7.000 monges (Pongyis) e monjas (Thi La Shins) eles não são simples estudantes do Budismo mas, segundo eles, são seguidores da “Utima Verdade”.




As 3.000 monjas, sempre de rosa, moram em 225 "nunneries", a maior concentração de monjas da Ásia!
Como hoje é domingo é o dia de visita e tb de guloseimas que os familiares levam, no caso era dia de sorvete!
Tb levam flores que as monjas arruma de maneira impecével no templo!



O mosteiro das monjas é infinitamente mais limpo que o dos homens!
Como qualquer pessoa pode pasar o tempo que quizer num mosteiro meditando e estudando, pensei, ainda bem que sou mulher, já inspira muito passar algumas semanas aqui...




Para nós pode parecer uma vocação religiosa, mas na verdade é a única maneira de se ter estudo e alimento.
Essas ordens não são subsidiadas pelo governo, mas sim pela comunidade que doa os alimentos.




Como os monjes não podem fazer sua própria comida, só comem o que for doado (em estado pronto) todos os dias alguns voluntários se apresentam para cozinhar e servir.


Aos pés da montanha de Sagaing moram muitos religiosos que abdicaram ao mundo mundano, isto mais a quantidade enorme de pagodas e monastérios tornam o local o maior centro religioso de Myanmar.
Amanhã estaremos indo para o Inle Lake, um dos lugares mais exóticos do planeta, mas as imagens de Mandalay nunca mais sairão das nossas mentes...