quarta-feira, 2 de maio de 2012

Yazd - Irã


Levantamos e tomamos o caminho de carro para Yazd, nosso motorista é um caso a parte, em Teerã onde o transito é uma loucura, diversas vezes vi ele não parar para mulheres atravessarem a rua, isso porque elas estava no meio das pistas de avenidas entre os carros e muitas eram senhoras ou carregavam criança, e ainda ele reclamava...
Mas comigo e com Fernando ele era super gentil, bastava ele perceber que estávamos cochilando que ele parava o carro para pegar travesseiros no porta mala! Ou se estava sol em um dos lados ele punha lenços nos vidros, e nesse caminho paramos para ver o mais velho pinheiro que eu já vi!  Lá aviam 2 placas uma com a avaliação dos alemães de 1920 com a estimativa de 4.000 anos e outra com as últimas investigações feitas por japoneses que dizem que a arvore tem mais de 8.000 anos!

Ela é da família das Cupressus sempervirens conhecida como cipreste de Abarkuh é considerada a mais velha árvore da Ásia! Seu tamanho tb impressiona, ela tem 25m de altura e sua copa tem 18,5 de diâmetro! O seu tronco tem 4,5m de diâmetro!
Fiquei tão encantada com ela que nosso motorista perguntou se queríamos tomar um chá em baixo dela, eu falei que seria ótimo, na verdade achei que era brincadeira, mas enquanto tirávamos fotos ele preparou tudo, com toalha, chá, pedras de açúcar e até bolachinhas!!!
Gente tinha tudo naquele porta malas!!!


No caminho tb paramos para ver um depósito de água Aali, o domo tem 710 anos de existência e era usado como ponto de observação, pois a vista ia além do deserto até as montanhas distantes, por causa dele o nome da cidade ficou Abakuh (Grande Montanha). Olhem que interessante é esse formato, especial para deixar a água fresquinha!


                                        

Aproveitamos para almoçar em Abarkuh no Hotel Pouya, comida razoável...

Como Yazd é o centro da cultura da religião do Zoroastrismo,  na chegada já paramos para conhecer as torres do silêncio...



 Na religião antiga persa o Zoroastrismo quando alguém morria o corpo era levado para uma dessas torres, lá o corpo ficava esposto até que os abutres comecem, depois que só sobravam os ossos os familiars que esperavam nos alojamentos abaixo recolhiam e levavam para as montanhas…


                             Alojamentos abaixo da Torre do Silêncio







O Zoroastrismo é uma religião monoteísta fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratusta a quem os gregos chamavam Zoroastro, é considerada a primeira manifestação de um monoteísmo ético, e segundo os historiadores pela sua crença no paraíso, na resureição e no juizo final influenciou o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.


Como o Fernandosabe tudo a respeito das religiões comparadas fomos visitar o templo Atashvadeh-e-Zartoshtian (literalmente fogo-e-templo) construído em 1934 que ainda existe em Yazd.

Hoje em dia em Yazd ainda há seguidores do Zoroastrismo, mas é na India que a religião tem o maior número de adeptos!

Esta imagem acima é do Faravahar ou Ahura Mazda (grande senhor)  representação da alma humana antes do nascimento e depois da morte.

Além do Zoroastrismo Yasd que tem mais de três mil anos possui uma arquitetura única, por ser sercada por desertos sua arquitetura continua igual a centenas de anos, tornando a cidade um museu a céu aberto.


A cidade também é especialista em seda e lojas de doces, eles costumam vender para todos os casamentos chiques do Irã.


O nosso motorista comprou doces pra família inteira, e nós tb, porque eram divinos!!!



Depois fomos visitar a grande mesquita construída no sec XII Jamed Kabir Mosque que fica praticamente na praça principal da cidade.


A vista de cima do minarete é fantástica!!!



Internamente tb é impressionante!


Depois fomos visitar o complexo Amir Chakhmagh um caravanserai composto de uma mesquita, um bazaar, as cisternas e tb foi parte do portão medieval da cidade muralhada

                         



Em seguida fomos visitar Dowlat-abad garden, para conhecer a casa principal com arquitetura persa antiga e seu famoso captador de vento, ou torre de vento octogonal, como disse nosso guia o ar condicionado da época!

                                        

Funciona assim esta torre capta o vento e na base dela há um espelho dágua, o ar bate nesta água e vira refrescand toda a casa, que é construída de modo que essa corrente de ar circule por diversos cômodos.
E funciona perfeitamente!
Todas as cisternas da cidade tem a torre de vento que torna a água fresquinha e tb dá um charme todo especial pra arquitetura!



 Dormimos em Yazd e na manhã seguinte saímos para Isfahan, no caminho paramos em  Naim, a cidade é minúscula e só produz tapetes, seu tapete é um dos melhores e mais lindos, tanto pela cor quanto pelo desenho. Sua mesquita é a segunda mais antiga do Irã, tem 1.100 anos e é praticamente inteira em tijolo.


Aí aprendi que os desenho dos tapetes persas são sempre os mesmos das abóbadas das mesquitas de cada cidade, tanto o desenho interno quanto o externo, por isso quando eu comprava tapetes eu perguntava pro meu vendedor que era iraniano, mas este não é um Sfahan, porque eu já sabia que era predominantemente azul, ele dizia mas olhe o desenho!
Pra mim eram todos parecidos... Hoje sei que são bem diferentes!



Esta moça estava fazendo sozinha este tapete Naim (um dos tapetes persas mais caros), com um ponto bem pequeno em 1 dia ela faz 1cm de altura! Em 1 linha tem 1.200 pontos! Ela levaria 1 ano ao todo pra terminar, só ela faz o tapete para que não dê diferença de ponto! 
Perguntamos quanto custava, ela falou que U$600,00, mas que não podia vender direto, pois o estado tem controle dos tapetes que saem do país...  Bom pelo preço que chegam aqui muita gente ganha no caminho!

Daqui vamos direto para Isfahan, mas depois eu conto mais!








terça-feira, 1 de maio de 2012

Shiraz - Irã



Chegamos em Shiraz e fomos para o hotelNosso hotel Aryo Barzan que foi outra decepção! 
Como ele não tem restaurante só oferece o café da manhã saímos para comer alguma coisa e dar uma volta na cidade.


A tarde fomos visitar o Qavam Old Orangery House com seu lindo jardim otomano.



No dia seguinte fomo visitar Persepolis antiga capital do império Persa. 





Quando Alexandre o Grande invadiu a Pérsia ele permaneceu por algum tempo na cidade, porém um incêndio no palácio oriental de Xerxes se alastrou por toda a cidade, destruindo-a parcialmente. 



Há duas hipóteses sobre a origem do incêndio: uma vingança de Alexandre pelo incêndio da Acrópole ordenado por Xerxes (rei Persa) durante a segunda guerra greco-pérsica , ou um acidente provocado por Alexandre e seus generais durante uma bebedeira.

Sobrou pouca coisa da cidade, mesmo porque tudo que não era pedra queimou-se, mas o tamanho das esculturas pode dar uma idéia do que deve ter sido essa capital!




Tanto no museo de Teerã quanto no Louvre há diversos fragmentos de Persépolis.


Persépolis é um dos princiais sítios arqueológicos do Irã e foi considerado Patrimônios da Humanidade da UNESCO EM 1979



De lá fomos visitar Naghshe Rostan ou a Necrópolis de Persépolis, lá encontramos as tumbas de Xerxes e Artaxerxes (filho do Xerxes), Darius I (pai  de Xerxes) entre outros.
Essas tumbas são incrustadas nas pedras e nesta mesma área tem cenas da vida e de batalhas destes reis persas!





De lá fomos para Passargada ver um símbolo do Zoroastrismo, mas não valeu a pena, só tinha isso!

Nosso almoço foi a coisa mais gozada do planeta! Pena que não temos fotos... Mas meu guia fez a propaganda do restaurante Persian que era lindo... Era todo em resina imitando uma gruta cheio de flores de plástico no teto e nas laterais.... Bom não preciso falar mais nada né?
Após o almoço fomos visitar 2 mausoléus.




O de Hafez um famoso poéta lírico e místico da Pérsia... 



E o mausoléu de Saadi um dos maiores poetas Sufis da época medieval.



 A noite o Fernando tinha pedido ao nosso guia que nos levasse ao melhor restaurante de Shiraz, mas ele nos levou a um tipo de churrasco na periferia da cidade… É duro não falar a lingua e depender exclusivamente do guia e do chofer… Mas na volta falamos que não tínhamos gostado e ele prometeu algo melhor no dia seguinte… Fiquei pensando se ele ganhava comissão nesses lugares…

No dia seguinte fomos Valkil Bazaar que é parte de um caravanserai antigo. 


Dali fomo visitar o complexo Shah Cheragh (Reid a Luz) onde se encontram várias tumbas inclusive as tumbas dos filhos e do setimo Iman Musa al-Kadhim.
 


A parte mais incrível deste complexo e a mais importante peregrinação de Shiraz é no mausoléu Seyed Amir Ahmad irmão do oitavo Imam. Considerado as luzes de Shiraz é realmente uma beleza!



Para entrar neste local sagrado foi preciso colocar o Chador, mas valeu muito a pena!
Com certeza uma das coisas mais lindas que já vi!



Finalmente almoçamos num local melhor!




A tarde fomos visitar a mesquita Nasir al-Mulk a única do Irã quem sabe do mundo com rosas nos mosaicos! 



                               Por isso todo tapete Shiraz tem as rosas!



                          Construída em 1876 pela ordem de Mirza Hasan Ali 
                                Nasir al Molk um dos reis da dinastia Qajar.  



Cada detalhe desta mesquita é lindo!


                                      


Depois fomos visitar uma casa de um mercador chamada Naranjestan Estate pelo seu lindo trabalho.




Construída na época somente para mostrar a gloria dos seus negócios, e mostra!


Um tanto quanto extravagante dá pra imaginar o sucesso que ele fazia quando recebia seus convidados!




A noite fomos jantar num local com música ao vivo, interessante...


No dia seguinte iríamos de avião para Isfahan, mas para desespero do nosso guia, nosso motorista falou que estaríamos perdendo o melhor do Irã deixando de conhecer Yazd, e conversando com ele combinamos como poderíamos fazer para ir de carro. Depois de tudo mais ou menos organizado com o motorista nosso guia nos informou que no Irã não podemos simplesmente mudar a rota da viagem aprovada quando pedimos o visto!
É temos que cumprir direitinho o que está aprovado pelo governo, então nos ocorreu falar que tínhamos perdido o vôo...
Bom, deu certo, a agência local se virou e acabamos indo de carro até Yazd!

Teerã - Irã


Nossa viagem a Rota da Seda começou no Irã, ficamos 2 dias em Paris e depois voamos direto para Teerã.
Ainda dentro do avião ouvimos a indicação da comissária de bordo falando que era necessário a colocação do véu para desembarcar. Como no Irã religião e estado são uma mesma coisa desde a Revolução Islâmica de 1979, o véu é obrigatório.

Conhecida por nós como Pérsia até 1935 a região foi habitada desde a época pré-histórica, por isso teve grandes épocas de apogeu, várias conquistas tornando-se um império.  Houveram sucessivas conquistas e derrotas, uma delas foi pelo Alexandre o Grande em 331 a.C.
Depois disto houveram diversas dinastias e no Séc VII foi conquistada pelos árabes, do ponto religioso, o Zoriatrismo foi gradualmente substituído pelo Islã. A cultura persa nunca foi rejeitada pelos árabes e no Séc X houve até um renascimento da literatura persa.

                                           Império Pérsa

Na Idade Média a Pérsia foi invadida pelos mongóis, depois com a decadência do Império Mongol começou a dinastia do Ismael I descendente do sétimo Imã e chefe de uma Ordem Sufi, se intitulou Xá e impôs o Islamismo Xiita que vigora até hoje.
Muitas outras dinastias comandaram a Pérsia com invasões afegãs e turcas.
Apesar de grandes influências britânicas e russas a Pérsia nunca foi colonizada, uma coisa rara na região.

Com toda essa história o Irã possui um grande patrimônio cultural e de construções antigas!

Com toda a propaganda Americana contra o Irã eu estava um pouco tensa quando chegamos, na imigração meu passaporte fez sucesso só porque meus cabelos estava soltos e aparentes na foto!  Parecia que eles estava vendo uma Playboy!
Com certeza a única hora desagradável passada no Irã!

Quanto as roupas, as mulheres devem usar calça compridas largas (ou vestido longo) com alguma túnica até o joelho, sempre de mangas meio largas compridas. 
As mulheres religiosas usam o véu e por cima da roupa o chador, tipo uma toalha de mesa redonda que pode ser preta.


Isso nas mais tradicionais, ou podem ser coloridas e estampadas. 




Quando cheguei pensei que todas as mulheres se vestiam assim, mas não as que não são "religiosas", segundo meu guia, usam roupas normais, tipo calça de brim e uma camisa ou bata mais compridinha por cima. Ah! O lenço fica mais para trás (só não pode escorregar, para isso o truque do rabo de cavalo ou do óculos escuros) deixando as madeixas a vista!   Charmoso não?


Nosso guia o Amir era um moço muito educado e conforme ele dizia com mente muito aberta, pois sua namorada formada na França podia até dançar com amigos em comum! Ele só estava um pouco confuso com a exigência dela em casar somente depois que ele desse a permissão a ela de se separar dele por escrito, caso ela futuramente quisesse!
É porque no Irã a mulher só pode se separar com consentimento do marido!
Claro que dei bons conselhos a este respeito, não sei se adiantou…

Bom quando chegamos, ele se desviou de mim quando fui em direção a placa com nosso nome no aeroporto, depois super sem graça disse que eu parecia muito local e que ele nunca imaginou uma turista brasileira assim!

                                           Museu de Teerã

Bom é claro que depois que descobri tudo isso a respeito do véu, comecei a usar um um pouco menor por causa do calor, mas esse do começo eu tb gostava!

Mas vamos lá nosso hotel Howeyzeh não era lá essas coisas, a localização era ruim, tipo centro da cidade, não tinha nem um restaurante ou bar nele pra comermos quando chegamos sem jantar, e nada de room service! 
Na época tinha um melhor o Laleh, como tínhamos fechado com a agência os melhores hotéis possíveis em cada lugar, reclamei, e claro a resposta foi que eram da mesma categoria, segundo o Amir, mas na minha opinião, não era não…

                               Fragmentos do museu de Teerã


Ficamos 2 dias em Teerã, fomos ao museu Nacional e o Islamic Arts, ambos muito bons!  Depois fomos ao museu do tapete, nada de ficarem tentando vender tapetes pra gente, o que foi ótimo, é um museu mesmo e tem tapetes antigos lindos!
Ah! Neste lugar nos ofereceram chá e as melhores tâmaras do Irã, excelentes!!!



Depois passamos no Templo de Mitra e fomos visitar o palácio de verão da Farah Diba terceira esposa do Xá Reza Parhlavi, mas só os jardins vale a pena!



Tb tivemos que passar na agência e o transito na cidade é bem denso.  As mulheres apesar do véu estão por toda parte, guiando, trabalhando, andando pelas ruas… A cidade é bem agitada!
Infelizmente nosso guia não era muito bom nas indicações dos restaurantes… Um dia fiquei tão mal humorada que praticamente obriguei ele a nos levar pra jantar o Hotel Laleh, foi bom!
No Irã os turistas não saem sozinho, então vc tem o guia e o motorista indicando os restaurantes e sempre almoçando e jantando com vc, isso cansa um pouco, mas no fim da viagem numa briga acabamos resolvendo este probleminha... Talvez seja falta de prática com turistas...


Como eu cai na besteira de dizer para o nosso guia que eu adorava romã, ele nos levou para tomar um suco de romã tirado na hora, o Fernando achou muito ácido e não tomou, eu, fiquei com vergonha e tomei metade do meu... Se arrependimento matasse, eu estaria morta porque me custou 20 dias de intestino solto, só melhorei no Uzbesquistão! Isso porque nosso guia tinha uma tia que trabalhava na farmácia e me deu um remédio russo... Pode?
O duro foi achar banheiros com portas nas estradas, porque a maioria é uma cabaninha de madeira sem porta, mas virada para o outro lado da estrada, o mínimo né!




Depois de 2 dias voamos para Shiraz, o aeroporto nacional é algo a parte, parecia um comício de tanta gente! Filas nem pensar!!! 
E ainda por cima temos que passar por revista, claro separadamente, pois só mulher revista mulher dentro de uns cubículos de cortinas, todas gritando e a policial invocada falando em árabe... Mas como eu sempre digo tem uma palavra chave que resolve tudo, vc coloca um sorriso idiota na cara e diz:   tourist!
E a magia acontece!!!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

ROTA DA SEDA



Em 2005 pensamos em fazer uma viagem diferente e meu marido, Fernando ficou atraído pela história da Rota da Seda.
Nesta primeira postagem estou colocando um pouquinho da história da Rota da Seda para que fique mais fácil a compreensão das próximas postágens! 




A Rota da Seda era uma série de caminhos interligados através da Ásia, usados no comércio da seda entre o Oriente e a Europa.
Eram transportadas por caravanas principalmente a seda vinda de Xian na China, mas também pedras preciosas, animais, especiarias, insensos, vidros, cerâmicas, etc.
Há registros de comercio nesta aria deste os faraós egípcios, que importávam lapis lazuli, malaquita, mirra, cedro do Líbano, etc. há tb estudos mineralógicos que revelaram fragmentos que pertenciam a uma jarra de vinho exportada do vale do Nilo até Israel!
Tb foram encontradas muitas sobras do que parece ser seda chinesa no Egito, datando de cerca de 1070 a.C.


Muitos dos trechos destas rotas já eram usadas antes do Sec IV aC para comércio local, mas foi nesta época com a domesticação do burro e do dromedário que a carga e a distância começaram a aumentar. Depois foi a época dos camelos e cavalos.
A rota da seda existe essencialmente desde o Séc I aC, seguindo os esforços da China em consolidar uma rota para o Ocidente e a Índia, tudo começou porque a China era sempre invadida pelos mongóis montados em seus cavalos, que em investidas curtas roubavam e destruíam o que havia. Apesar de diversas muralhas, construídas durante várias dinastias ao longo de aproximadamente dois milênios (começou no ano 221 a.C com término no século XV, durante a Dinastia Ming) que originou a Grande Muralha da China, a segurança desta enorme fronteira nesta época era ainda muito falha.


Os chineses por não possuírem cavalos tinham por eles grande fascínio, achavam esses animais altos e fortes, e eram denominados cavalos celestes, diziam até que eram tão fogosos que suavam sangue!
Então o imperador chinês Wudi, o filho do vento, como era chamado, resolveu mandar uma expedição para o Oeste tentar comprar um lote desses cavalos.

                            Cavalo da última dinastia Han    Séc I

Para isso foi um selo de ouro com uma fita de seda, quando foi pago o primeiro lote os vendedores ficaram encantados com a seda e ela passou a ser exigida como moeda de troca no lugar do ouro!
Mas foi quando os europeus conheceram a seda que o seu preço ficou astronômico e as caravanas se multiplicaram!
Com isso começaram as construções dos famosos Caravanzerais, locais para pernoite com segurança, água, pequeno comércio e até uma mesquita, construídos a cada 40kl, distância media percorrida pelas caravanas a cada dia!


As caravanas conectavam Chang'an (atual Xi'an) na China até Antioquia (Turquia) e o porto de Constantinopla de onde a seda e vários outros produtos iam para a Europa. Este comércio expandiu-se até a Coreia e o Japão formando a maior rede comercial do Mundo Antigo.
Estas rotas não só foram significativas para o desenvolvimento e florescimento de grandes civilizações, como o Egito Antigo, a Mesopotâmia, a China, a Pérsia, a Índia e até Roma, mas também ajudaram a fundamentar o início do mundo moderno.


Rota da seda é uma tradução do alemão Seidenstraße, a primeira denominação do caminho feita pelo geógrafo alemão Ferdinand von Richthofen no Séc XIX.
Junto às as caravanas, caminhando ao lado dos camelos nessas viagens que duravam meses e até mesmo anos, um número enorme de pessoas e animais se movia. Eram comerciantes e mercadores das mais diversas procedências e nacionalidades, homens de guerra com seus exércitos, sacerdotes, exploradores, embaixadores e emissários, peregrinos religiosos, artistas. Foram eles que possibilitaram o intercâmbio não apenas de mercadorias mas também das idéias, das crenças religiosas, dos estilos artísticos e das escolas de pensamento. 


A Rota da Seda funcionou assim como um gigantesco caldeirão cultural no qual se encontravam e se fundiam as mais diversas experiências culturais, chinesas, indianas, iranianas, árabes, turcas, egípcias, gregas e a romana clássica.
Os itinerários seguidos pelos viajantes ao longo da Rota da Seda mudaram com o tempo, segundo sobretudo a situação política dos vários países. 
A rota da seda continental divide-se em rotas do norte e do sul. A rota norte atravessa o Leste Europeu (os mercadores criaram algumas cidades na Bulgária), a península da Criméia, o mar Negro, o mar Mármara, chegando aos Bálcãs e por fim, a Veneza; a rota sul percorre o Turquemenistão, a Mesopotâmia e a Anatólia. Chegando a este ponto, divide-se em rotas que levam à Turquia ou ao Egito e Índia.



Depois da desintegração da União Soviética abriu-se um novo capítulo na longa história da Rota da Seda. Com ela, as antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central situadas na Rota da Seda – Casaquistão, Usbequistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão – conquistaram a sua independência e reabriram suas fronteiras, fechadas ao mundo ocidental durante a dominação soviética. Hoje, é possível visitar livremente essas nações, todas elas de riquíssimo passado cultural, para conhecer o que sobrou dos grandes monumentos construídos nos séculos em que a Rota se manteve ativa. Samarcanda e Bucara, no Usbequistão, por si sós valem a visita. Ambas possuem um patrimônio arquitetônico islâmico de tirar o fôlego.


Depois de tanta pesquisa resolvemos investir nesta exótica viagem, porém resolvemos fazer o caminho contrário de quem estaria indo comprar a seda!
Como já conhecíamos  Istambul resolvemos começar pelo Irã!

Nossa Rota da Seda ficou assim!

Irã – Turquemenistão – Uzbequistão – Casaquistão -  Quirguistão – China
Para ver nossa viagem inteira é só entrar em cada país desse na pagina principal, seguindo a ordem acima!
No total 38 dias!
Uma aventura e tanto!


O Centro do Patrimônio Mundial da Unesco trabalha ativamente para inscrever a Rota da Seda na lista do Patrimônio Mundial dos bens culturais. Em agosto de 2003 e em julho de 2004, a organização enviou expedições de especialistas para investigar sobretudo a parte da Rota que se encontra em território chinês. Essas missões da Unesco na China concluíram que uma rota cultural pode ser definida em termos de espaço, pois a Rota passava por centenas de países com diversos monumentos; e de tempo (é possível estabelecer o início e o fim da sua utilização). Completada a investigação do trecho chinês da Rota (cerca de 4.450 quilômetros), a Unesco dará início aos outros paises que formam este maravilhoso caminho, situados na Ásia Central até o Mediterrâneo.